24/09/2012

Hoje é o dia da independêndia na/da Guiné

Aqui está calor. Muito. E às vezes chove. Muito, também!
Os relâmpagos trazem imagens bonitas!
A chuva faz muito barulho no telhado e às vezes acorda-nos. Mas o nosso telhado não cai.
A terra é muito vermelha e pinta de muito verde a moldura que a decora.
As acácias são muitas e são bom chapéu aos mercados de gente que descalça ou calçada vende o que tem.
Fruta, água em sacos, amendoins, pão, peixe, carne crua ou grelhada e coisas que ainda não sei o nome. Coisas que ainda não sei dizer porque não esperava ver...

[Os olhos demoram tempo até chegarem à boca.]

Há muitas cabras que são puxadas por mãos pequenas ou grandes com um fio. Ou que ficam à espera dos donos a comer a erva das beiras, junto a portas... ou apenas sítios.
Há galinhas que de patas para o ar ganham lugar nos guiadores das bicicletas.
O hamburguer tinha um sabor estranho, mas a fome era muita e imaginei-o noutro lugar.
Os buracos grandes têm estradas pequenas e às vezes, mais no campo, há estradas que não se vêem mas quem leva o carro sabe que estão lá.
Ontem, junto à avenida principal, passei por um porco que comia de um monte perto de uma venda de roupa que se expunha nalguns paus.
"Amigo, compra por favor!". "Branco, branco!"

O professor disse-lhe que as crianças choravam porque não estavam habituadas e ver gente branca lá na Tabanca.
Comprei saldo para o telemóvel na farmácia de Bafatá.
O meu cartão que não é visa, não funciona aqui.Não é problema para muita gente. São poucos os que dele precisariam.
Temos quase sempre luz. Electricidade nas tomadas temos algumas horas.
Internet às vezes não há, rede da Vodafone não tenho, o telefone nem sempre funciona.
O arroz é vendido aos sacos e fica quase sempre bom no prato.
O peixe leva um tempero picante que agrada e parece cheirar a canela.
A mandioca sabe-me a batata doce com gengibre. Gosto muito.

O mais comercial que vi foi o anúncio da Maggie: "Com Maggie cada mulher é uma estrela". Descobri, pelos papeis no lixo, que a Helena brilha.
O médico que me visitou começo a frase sobre o que devia tomar com "se voce confia....".
Nessa noite acordei com choro de alguém que sofria a morte de alguém no hospital ou na casa das mães.
Ainda só sei em português pensar o que em criolo estão sempre a dizer "sofre só" e " é o jeito que tem".
Quando se vai para o fanado não se sabe se se volta, contava o Mamadu, quando lhe perguntamos sobre o kankuran que estava a fazer todo aquele barulho nas ruas de Bafatá.


As pessoas são bonitas!
Tanto, tanto!

 

3 comentários:

Carlos Leão disse...

:) ***

Momi disse...

Tu és tão bonita, minha Elsa! Tão bonita! Que sorte que tenho! Que sorte tenho de te ter descoberto neste caminho bonito!
Já gosto tanto de ti... e sei que vou gostar ainda tanto mais.
Grata por ti :)

Elsa* disse...

...é que a beleza não está no que se vê mas nos olhos de quem vê!

e grata me sinto assim. tanto. tanto!

Obrigada MOMI que me ensinas aqui...
Obrigada MOMI que cuidas em mim... tanto. tanto!

Abraço bem apertadinho!
E muitas gargalhadas das Boas:)